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Cacá Bueno e a equipe Red Bull Racing de Stock Car fizeram história ao estabelecer um novo recorde de velocidade máxima para um carro da principal categoria do automobilismo brasileiro. E com estilo: no final de agosto, o time foi até Bonneville Salt Flats, o lendário deserto de sal em Utah (EUA) célebre como “Meca” da quebra de recordes de velocidade em terra.

Em relação ao Stock que Cacá acelera nas pistas, poucas modificações foram feitas ainda no Brasil, na oficina do time: instalação de uma relação de câmbio mais longa e remoção do limitador de giros do motor (o que garantiu cerca de 100cv a mais, para um total superior a 600), além do uso de um composto desenvolvido especialmente para o sal pela Goodyear.

Mesmo assim, o próprio diretor técnico da Red Bull Racing tinha suas dúvidas momentos antes de Cacá acelerar no sal. “Bonneville está a quase 2000m de altitude, o que de cara já rouba cerca de 20% da potência do motor”, explica Andreas Mattheis. “Superar os 300km/h já seria um grande feito”. A homologação dos recordes é feita pela média de duas passagens pela marca de seis milhas da reta montada no sal, e as duas passagens têm de ser realizadas em menos de uma hora para serem válidas.

“Bonneville é um lugar histórico, um templo da velocidade, e ter escrito um pequeno capítulo dessa história vai ser algo do qual vou me orgulhar para sempre em minha carreira” -- Cacá Bueno

Uma vez no deserto, porém, a equipe foi mexendo com a aerodinâmica do carro 0, buscando extrair cada km/h possível entre cada passagem. A perda de potência na altitude foi compensada pelos quase 10km disponíveis para Cacá acelerar. Logo na primeira passagem, o Stock superou 290km/h. Na segunda, os místicos 300km/h viraram história.

Havia mais um dia para trabalhar, e o time não descansou. Até calotas improvisadas recortadas de uma folha de composto plástico foram criadas, e só elas melhoraram a máxima em quase 7km/h. Todas as entradas de ar foram vedadas com fita adesiva, os retrovisores foram retirados, e um airbox (entrada de ar) improvisado foi construído na calada da noite para melhorar a respiração do V8. De mudança em mudança, as passagens de Cacá foram melhorando: 320, 330, 340km/h...

Finalmente, a última passagem produziu a melhor marca: recorde homologado de 345,936km/h na média de duas passagens pela milha cronometrada. Bem acima dos 303,11km/h atingidos por Fábio Sotto Mayor na Rio-Santos em 1991, ainda na era do Opala, considerado o recorde de velocidade anterior de um Stock Car.

“A felicidade é muito grande”, comemorou Cacá ao descer do carro. “Bonneville é um lugar histórico, um templo da velocidade, e ter escrito um pequeno capítulo dessa história como parte da primeira equipe brasileira a encarar o sal vai ser algo do qual vou me orgulhar para sempre em minha carreira”.

Os quase 346km/h atingidos por Cacá são também 1km/h mais velozes do que outro piloto da Red Bull Racing: o atual líder do mundial da Fórmula 1, Mark Webber, registrou 345,0km/h como máxima no GP da Itália de 2010 em Monza, o circuito mais veloz da F1. Ou seja: em Bonneville, nem Webber e seu F1 superariam Cacá...


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